Existem muitos significados para o termo populismo, e será discutido qual foi ele para a América Latina. Todos os países passariam por várias etapas até alcançar o modelo de desenvolvimento político europeu – com o Estado e governo. Porém, alguns se tornaram “desviantes” e daí ocorreram golpes militares, revoluções nacionais populares, que assusta os mais poderosos. As tensões e conflitos podem variar de país para país, mas todos dependem da estrutura social e distribuição populacional no território e da participação e velocidade dos processos de mudança que provocam a mobilização.
O populismo dá às massas a sensação de terem participado da vida política e também vantagens materiais concedidas. As classes populares eram percebidas pelas elites revolucionárias como um interlocutor a ser mantido dentro dos limites que não colocassem em risco a ordem burguesa. O Estado esteve mais aberto a essas questões não apenas porque necessitava criar suas bases sociais, mas porque precisava eliminar as tensões de uma área crucial para o processo de desenvolvimento capitalista. Os fatores que impulsionam o crescimento do aparelho do Estado, das atividades comerciais e do setor de serviços ligados à exportação, bem como a tendência à generalização das relações do tipo capitalista no campo e a consequente liberação de mão-de-obra.
O chefe de Estado tende a optar por soluções que despertem o mínimo de resistência ou o máximo de apoio popular. Por causa do populismo, as classes subalternas estariam incapacitadas de definir uma consciência adequada de seus interesses.
O discurso é somente um conjunto de signos manipulados para convencer o ouvinte. Como a partir do discurso podem ser feitas várias leituras, as diferentes camadas sociais puderam reconhecer (num mesmo discurso) um lugar próprio.
O populismo seria para Germani e Di Tella, um estágio de desenvolvimento político pelo qual passariam os países desenvolvidos. Os fenômenos populistas são uma confusa mescla de braços tradicionais e modernos.
No Brasil, a Revolução de 30 seria um movimento essencialmente de classe média que abriu as portas do sistema político à esses novos setores. Nos anos 20, com a crise do café no mercado internacional, , há uma rápida rearticulação das oligarquias não vinculadas ao café, com diferentes áreas militares que se opunham ao acordo entre as cúpulas do Exército e os setores cafeeiros. Classes médias insatisfeitas com as práticas oligárquicas e com a presença difusa das massas populares.
Nos movimentos de 20 encontramos nas classes médias urbanas os grupos mais importantes que pressionam no sentido da derrubada da oligarquia.
O povo é o critério para identificar a autenticidade das elites.
in: Ideologia e Populismo – Guita Grin Debert
Introdução à História – ano 2002