- da 1ª à 3ª República, a alegoria feminina domina a simbologia cívica francesa.
- a figura feminina passou a ser utilizada assim que foi proclamada a República, em 1792.
- a alegoria feminina sempre aparecia segurando uma lança (significava a presença do povo no regime), um feixe de armas (identificava a unidade e, a peça mais importante era o barrete frígido (que identificava os libertos na Roma antiga).
- em 1848, com a proclamação da segunda República, foi feita uma imagem de uma mulher amamentando duas crianças, mostrando uma República maternal, protetora, segura e sólida.
- o barrete frígio passa a ser uma das principais indicações do radicalismo, enquanto a bandeira tricolor vai aos poucos se tornando marca de moderação.
- forma-se um paralelo entre Maria (mãe de Jesus) e Marianne (mãe da República).
- com a Comuna e a 3ª República, Marianne deixa de ser símbolo da República e passa a ser símbolo da nação ou da França.
- loucura de Comte –> o símbolo perfeito, para a humanidade seria a virgem-mãe. Ele chegou a especificar o tipo feminino que deveria representar a humanidade: uma mulher de trinta anos, sustentando um filho nos braços. Manifestou o desejo que fosse usado o rosto de sua amada Clotilde como modelo e aparecesse em todas as bandeiras ocidentais.
- quando se tratava de representar a humanidade ou a República, não apareciam índias, nem negras, nem mulatas, nem proletárias, mesmo idealizadas. Era Clotilde, mesmo quando de barrete frígio.
- pintores positivistas foram os únicos a levar a sério a tentativa de utilizar a figura feminina como alegoria cívica.
- com o fracasso da República, a figura feminina foi usada como deboche pelos caricaturistas. A mulher ingênua foi transformada em prostituta, por exemplo.
- Na França houve a participação feminina nas Revoluções, já no Brasil, se o povo masculino esteve ausente na proclamação, que dizer do povo feminino?!
Livro: A Formação das almas. O imaginário da República no Brasil (cap. IV)
Introdução à História – ano 2002