Resenha: “Esboço de uma teoria prática” – Pierre Bourdieu

     Em seu texto, Bourdieu começa definindo os três modos de conhecimento, que são: o conhecimento fenomenológico, que mostra a primeira experiência do mundo social como verdade (família, mundo natural), o conhecimento objetivista, que constrói relações objetivas, que estruturam as práticas e as representações das práticas, com isso rompe com o conhecimento primeiro (fenomenológico), e o conhecimento praxiológico, que tem como objeto não só as relações objetivas, mas também as relações dialéticas entre as estruturas e as disposições estruturadas. Para ele nada se defini por si só, tudo está relacionado. Para explicar o conhecimento ele usa a análise lingüística de Saussure (a forma estrutural tem influência da lingüística), pois a estrutura e a sociedade são como a língua, elas tem uma estrutura por trás que permite sua utilização e representação, porém a vida real não é organizada, sendo difícil de seguir as estruturas. Para Bourdieu a consciência individual já é produto de estruturas, ele começa a questionar, pois as pessoas não respeitam as estruturas. As pessoas não apenas usam as estruturas, mas também às manipulam conscientemente; para ele, no estruturalismo falta uma teoria de ação, pois é preciso explicar não somente a capacidade das pessoas falarem muitas frases, mas também como as pessoas usam frases adequadas para cada situação, assim saber como as pessoas usam as estruturas. Bourdieu diz que é preciso abandonar as teorias que tornam a prática como uma reação mecânica, determinada pelas condições antecedentes e preestabelecidas, como os modelos, as normas e os papéis; para ele a prática é necessária e relativamente autônoma em relação à situação considerada, porque ela é o produto da dialética entre uma situação e um habitus. O habitus é a estrutura externalizada, consiste em disposições (orientações para resolver problemas) e esquemas de percepção, pensamento e ação; ele gera o sentido comum, gera uma certa arte de improvisação e sentido prático. É importante relacionar o habitus com a situação com que a pessoa se encontra. Também é importante saber como as práticas são passadas de geração a geração, para ele isso se deve à continuidade e regularidade que o objetivismo concede ao mundo social, atualizando as práticas estruturadas segundo os princípios de cada um. Definindo as relações entre classes, habitus e individualidade orgânica, considera-se o habitus como sistema subjetivo mas não individual das estruturas interiorizadas, esquemas de concepção e de ação, comum à um grupo ou classe, estabelecendo uma relação de homologia entre os entre os habitus de um mesmo grupo.

Resenha de Sociologia Contemporânea – ano 2002

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“Resenha: “Esboço de uma teoria prática” – Pierre Bourdieu”

Um comentário
  1. Maíra disse:

    OLha só, estava procurando resumos que me ajudassem a entender os Nuer e eis que acho um blog de uma quase conterranea ;P sou se piracicaba e estou cursando Sociologia. Feliz com o encontro. Beijos

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