A Coluna Prestes – rebeldes errantes – José Augusto Drummond

     Para construir este livro sobre a Coluna Prestes, o autor José Augusto Drummond se baseia, especialmente, na leitura de memórias, em depoimentos e em documentários produzidos por participantes, simpatizantes e inimigos da Coluna, e também fez uso de biografias escritas sobre alguns tenentes e seus inimigos. O autor estudou a Coluna Prestes sob o aspecto do movimento tenentista, por isso no texto aparecem várias observações sobre esse movimento, deixando claro sua avaliação do caráter militarista da Coluna Prestes.
     O livro é dividido em quatro partes, composta por uma introdução e três capítulos. O autor começa o livro explicando o movimento tenentista, a influência das primeiras revoltas do movimento, mostrando como surge a Coluna Prestes, para depois, realmente falar sobre ela. Então, Drummond mostra como se deu a Coluna Prestes, quais eram seus objetivos, seus integrantes, sua estrutura, o trajeto percorrido, as repressões sofridas, concluindo com uma análise sobre a ação política e a ação militar da Coluna.
     Antes de relatar sobre a Coluna Prestes, Drummond faz uma introdução a respeito das origens do tenentismo. O momento histórico mais citado nas análises sobre o tenentismo é a crise do sistema oligárquico, tensionado pela disputa eleitoral pela sucessão de Epitácio Pessoa (1921-1922), tendo vitorioso Artur Bernardes, considerado inimigo do Exército. Até 1927 ocorreram várias revoltas, feitas por oficiais do Exército e da Marinha que defendiam um papel político especial para o Exército brasileiro, pois o ideário tenentista partia da premissa da excepcionalidade institucional do Exército brasileiro, e a Coluna Prestes expressou claramente o militarismo dos tenentes, valorizando a excepcionalidade atribuída ao Exército brasileiro enquanto “patrocinador dos direitos do povo” (aspas do autor).
     A Coluna Prestes tem como antecedentes as revoltas de 1922 e, principalmente, de 1924, desse modo, ela nasce das rebeliões de 1924 no Rio Grande do Sul, com a Divisão Rio Grande, que era comandada por Prestes e em São Paulo, com a Coluna Paulista. A Coluna funcionou à base de destemida concepção tática e estratégica militares, suas metas e concepções eram de nível nacional, atuando de forma isolada e elitista e desprezando adesões populares, sua ação política era pouca. A Coluna Prestes foi uma das manifestações do intervencionismo militar na vida política do Brasil, os jovens oficiais do Exército, que participaram da Coluna, se consideravam os representantes dos interesses nacionais, e percorreram mais de 25.000 Km do país, em 27 meses, levando consigo simpatizantes e enfrentando tropas regulares do Exército, de polícias militares e de grupos civis armados. Luís Carlos Prestes foi líder, o principal integrante, e por isso a Coluna Leva seu nome. A Coluna Prestes teve seus objetivos transformados ao longo de     sua duração: num primeiro momento o objetivo era derrubar Artur Bernardes, depois a prioridade era divulgar a “mensagem revolucionária” (aspas do autor) de 1924 pelo interior do país, os oficiais não procuravam mais uma vitória militar propriamente dita, enfim a Coluna passou a assumir a qualidade de símbolo da resistência do Brasil de Artur Bernardes. O que a Coluna realmente realizou em sua campanha foi o esclarecimento do povo em relação aos objetivos da revolução conseguindo atrair mais oficiais à rebelião.
     A Coluna Prestes foi um importante feito militar, original, grandioso, de precedentes desconhecidos no Brasil e no mundo, porém fracassou em seu principal objetivo estratégico, que era o de estimular militares de adesão e de evitar seu esmagamento através de sua incorporação a uma coluna móvel de difícil repressão.
     A Coluna teve seu sucesso militar, mas fracassou politicamente. Conseguir apoio popular, que no início era quase inexistente, não só fugiu inteiramente ao projeto intervencionista militar e aos objetivos políticos moderados e elitistas dos tenentes, como também não foi compatível com a guerra de movimento que caracterizou a Coluna Prestes, Com a intensificação na valorização da mobilidade militar, foi excluída a mobilização do povo, pois para os tenentistas o povo já era representado pelo Exército. A Coluna Prestes desejou ser a agente da revolução dos militares para o povo, e conseguiu não ser agente de uma revolução social, pois não seriam os tenentes que executariam uma revolução social.
     O interessante deste livro é que a história é relatada sem ufanismo à Coluna e nem à Prestes, como ocorre normalmente em literaturas sobre esse tema; é uma leitura diferente e fácil sobre esse movimento, que é de grande importância na história brasileira.

Livro: A Coluna Prestes – rebeldes errantes
Autor: José Augusto Drummond
Editora: Brasiliense
Coleção Tudo é História : 103
São Paulo, 1985, 3ª edição, 96 páginas

História Social do Brasil – ano 2003

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