Fichamento: Memória da Independência: Marco e Representação Simbólica

  • Sete de setembro: marco fundante da nacionalidade brasileira.
  • Grito do Ipiranga = ato inconteste de proclamação da independência do Brasil.
  • Intrigante a ausência, na documentação referente, de registro sobre o Grito do Ipiranga no 7 de setembro de 1822 como sendo o ato de proclamação da independência.
  • A dimensão simbólica da data mostra o nível das divergências entre as diferentes concepções de sistema de sistema de governo representativo e soberania nacional, mostrando o sentido dos conflitos existentes na sociedade na época referida.
  • Brasil é sede da monarquia Portuguesa desde 1808, continua com o modelo de emancipação Reino Unido) instituído em 1815.
  • 1820 –> revolução liberal em Portugal “acaba” com o modelo de emancipação.
  • Com as divergências entre Portugal e Brasil, começa a pressão dos setores dominantes para a independência do Brasil.
  • em outubro de 1822, Londres publica a independência do Brasil pelo tratado de 1º de agosto.
  • Pernambuco tinha postura independente em relação às diretrizes das cortes do Rio de Janeiro e de Lisboa, mas defendia os princípios constitucionais adotados por estas.
  • a determinação pela “independência absoluta” aparece mais explicitada na carta de D. Pedro I ao pai, datada de 22 de setembro.
  • Em realidade, não se encontra nos registros da época, nenhuma referência sobre o acontecimento em questão.
  • 12 de outubro –> aclamação de D. Pedro imperador constitucional do Brasil e proclamando sua independência.
  • apenas em maio de 1823 D. Pedro afirmava que teria sido ele próprio responsável pela decisão da independência.
  • 7 de setembro de 1825 –> assinatura do término do Tratado de Paz e Aliança.
  • O Sete de Setembro tornou-se símbolo da independência, através de jornais que publicaram que o fim do tratado em 7 de setembro de 1825 era aniversário da independência; através do diário de viagem de Maria Graham; a descrição de Pe. Belchior.
  • As incoerências sobre o Grito do Ipiranga foram relevadas a “sinais naturais”, provocados pela distância do tempo.
  • Também a obra de José da Silva Lisboa ajuda a “formar” o sete de setembro.
  • Mesmo com o desgaste da imagem de D. Pedro e sua abdicação, o sete de setembro continuou como data heróica.
  • Até 1822 o calendário de feriados era baseado no catolicismo, com a monarquia muda o calendário.
  • História é “uma representação simbólica” para legitimar o poder com: 22 de abril (descobrimento); 7 de setembro (independência) e 15 de novembro (Proclamação da República).
  • apesar das contradições existentes, o 7 de setembro se firma como marco histórico da independência.

Fichamento para aula de Introdução à História (2002)

LYRA, Maria de Lourdes Vianna – Memória da Independência: Marco e Representação Simbólica. In: Revista Brasileira de História. São Paulo: Contexto. 1995. pág.: 175-177.

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