Os processos de industrialização brasileiros, nos períodos anterior e posterior a 1946

O processo de industrialização no Brasil, em seu período inicial, esbarrava no caráter essencialmente agrário da política econômica vigente no país: a economia era dominada pela antiga classe de latifundiários, assim como toda a política do país via-se sob forte controle desta classe. Deste modo, todas as leis aprovadas sempre terminavam por favorecer a ampliação e perpetuação da classe de latifundiários no poder e a predominância das atividades agrárias enquanto principal eixo econômico. Porém, a partir do século XIX, em meio à política econômica predominantemente agrária (principalmente a agricultura do café) e após a anulação da lei que proibia a implantação de manufaturas no país, a implantação da Tarifa Alves Branco (em 1844) favorecia algumas tentativas de implantação de um desenvolvimento industrial através de uma política protecionista que estabelecia mediante o aumento das tarifas alfandegárias. Foi o caso das tentativas de implantação de uma infra-estrutura para o desenvolvimento da indústria realizada pelo Barão de Mauá, ele realizou granes progressos em relação às estradas de ferro, iluminação e indústria naval, porém como não recebeu ajuda da elite agrária, suas tentativas fracassaram, porém as atividades industriais no Segundo Reinado tiveram assim seu primeiro impulso: os bens de consumo no país eram predominantemente importados, porém a recente indústria no Brasil se orientava para a tentativa de substituição de alguns produtos importados pelos similares nacionais. A concorrência entre os produtos nacionais e importados foi amenizada com o estabelecimento da Tarifa Alves Branco, porém a indústria de bens de produção praticamente inexistia no Brasil deste período, sendo que todos os insumos e maquinarias industriais ainda eram importados.

Os primeiros passos para a implantação de uma indústria de base nacional passaram a ser empreendidos a partir da grande crise mundial de 1929 e após a Revolução de 30. O discurso nacionalista do Estado, então chefiado por Getúlio Vargas, almejava a implantação de uma indústria de base no país, visando assim ampliar a produção nacional de bens de consumo. Porém, é somente após a implantação do Estado Novo, que surgem várias empresas estatais dedicadas ao setor de bens de produção, por exemplo: a Petrobrás e a CSN (Companhia Siderúrgica Nacional).

Outro período de grande desenvolvimento industrial brasileiro ocorreu sob o governo de Juscelino Kubitschek, entre os anos de 1956 e 1961. O discurso do presidente baseava-se no famoso slogan “50 anos em 5″, ou seja, a idéia básica era o empreendimento de uma recuperação do país nos setores em que ainda encontrava-se em atraso. Neste período, houve melhoramentos em diversos setores vinculados à infra-estrutura. Tais medidas favoreceram a ampliação do setor industrial no país, que passou a contar com grandes investimentos do exterior, consolidando assim a posição da indústria em relação aos demais setores produtivos do Brasil.

Já no período militar pós-64, o Brasil entra numa fase de grande crescimento em todos os setores econômicos, ao lado da grande concentração de bens nas mãos de uma classe privilegiada. É o período do chamado “Milagre Econômico”, compreendido entre os anos de 1967 a 1973, em que as taxas do PNB (Produto Nacional Bruto) cresceram rapidamente. Grande quantidade de capital estrangeiro era aplicada no país, ao passo que as exportações brasileiras, ao serem grandemente amplificadas, possibilitaram a entrada de capitais para o investimento em máquinas. No entanto, as desigualdades sociais também foram acentuadas a partir deste período e, passados estes anos do “Milagre”, o Brasil entraria em uma de suas mais graves crises de sua história. Na década de 80 (“a década perdida”) a crise traduziu-se nas mais altas inflações da história do país, gerando grande estagnação no setor industrial. Este período de estagnação tem conseqüências até os dias de hoje, sendo que a indústria brasileira não apresentou crescimento significativo.

Prova (1ª questão) de Economia Brasileira, 2003

Bibliografia:

  • Furtado, Celso. Formação Econômica do Brasil
  • Cardoso, Fernando Henrique. Dependência e Desenvolvimento na América Latina
  • Benevides, Maria Victoria de Mesquita. O Governo Kubitschek: Desenvolvimento Econômico e Estabilidade Política, 1056-1961 (cap, I, II, V)
  • Algumas opiniões e textos da internet de: Wilson Suzigan, Barros de Castro, Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa.
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