Marcel Mauss: Ensaio sobre a dádiva. Forma e razão da troca nas sociedades arcaicas.

  • Mauss é seguidor de Durkheim e de seu método (é também sobrinho de Durkheim) -> ele faz uma análise descritiva do sistema de troca. Ele é reorganizador das obras de Durkheim, era conhecedor de dados etnográficos.
  • Mauss também parte do mais simples para o mais complexo. Sendo esse seu elemento essencial. Compreender alguns fenômenos nas sociedades mais simples, esses fenômenos permanecem nas sociedades mais complexas.
  • Em “As formas elementares da vida religiosa” Durkheim estuda as sociedades primitivas e seus sistemas totêmicos para mostrar a essência da religião.
  • As sociedades mais complexas “acham” no sistema de troca das sociedades primitivas a sua essência da economia.
  • Essência do fenômeno da dádiva: dar, receber e retribuir (obrigação) -> obrigatoriedade da reciprocidade -> sistema de prestações totais: deriva daqui o conceito de fato social total, que envolve simultaneamente todas as relações: sociológicas (relações sociais), econômicas (troca de bens), políticas (hierarquia -> poder).
  • Essas perspectivas fundamentam a moral jurídica e o direito da sociedade moderna.
  • Não é o indivíduo (pessoa jurídica) que faz a troca, mas como representante do seu clã..
  • Exemplo: Kula = colares e braceletes -> atribuem valores aos clãs, como a disciplina, a honra, o prestígio, autoridade -> mecanismo que mantém a comunidade unida -> a troca de braceletes e colares (circulação), gera controle coletivo = troca generalizada -> as coisas voltam para os emissores porque carregam parte dele, o Mana (as pessoas tem mana = autoridade), mas elas também possuem um espírito próprio, o Hau (propriedade mágica) -> o espírito da cosia = qualquer objeto vai retornar ao seu local de origem.
  • As coisas se trocam por si (fetiche da mercadoria). -> Mana e Hau são categorias nativas, coletivas; não basta chegar à forma como os nativos explicam seu mundo e sim na sociologia propriamente dita.
  • Pensar o que as pessoas têm na cabeça para entender a sociologia em si.
  • Aprender a lógica nativa, subjacente ao processo de troca e ao processo sociológico.
  • Mauss e Durkheim: inteligibilidade no interior do fenômeno social e no fato social.
  • A explicação sociológica explica essa inteligibilidade do cerne social.
  • Passagem da consciência para a inconsciência do fato social.
  • Mauss: aproxima-se da idéia dos fatos inconscientes aproximando-se da linguagem. -> as trocas envolvem caráter lingüístico.
  • Lévi-Strauss: a explicação deve ser sociológica
  • Categorias = explicação dos fenômenos sociológicos. -> os fenômenos sociais seriam um tipo de linguagem
  • Ao falar em categorias já se fala em linguagem, pois esse sistema de trocas já é uma forma de linguagem (troca: estrutural -> modelo metodológico -> lingüística -> sociedade da teoria da comunicação: linguagem, parentesco e economia). Por meio das categorias os indivíduos realizam a sociedade dentro do processo de troca.
  • O potlatch tem uma característica que o destingue das outras formas de troca, que é a disputa, que tem caráter destrutivo (retribuir sempre mais que recebeu, destruição de tudo, competição o tempo todo, quem dá mais, retribui mais ou destrói mais, leva a idéia de destruição de todos os bens e quem mais faz isso é mais prestigiado) -> Mauss denomina agonístico -> a destruição está relacionada com os deuses e os espíritos ancestrais; essa destruição assemelha-se ao sacrifício. Por meio desses valores dos quais os indivíduos estão imbuídos é que se apreende a idéia de indivíduo / sociedade.
  • A troca parece uma relação de coisas e não uma relação como ela é.
  • O inconsciente está no plano da linguagem. Lévi-Strauss se aproxima da lingüística pois todos os fenômenos sociais são, para ele inconsciente, não se satisfaz apenas com a visão do nativo.
  • Mana/hau -> “serve” para produzir sentido -> Mauss não entende que isso não é uma solução para o fato, a troca é essa solução, diz Lévi-Strauss.
  • Lévi-Strauss rompe com o pensamento durkheiminiano.
  • Durkheim: as categorias são a porta de entrada para a explicação da sociologia.
  • Mauss: os nativos não param para pensar nas categorias. Os fenômenos sociais são entendidos por determinados códigos. Há uma gramaticabilidade.
  • Lévi-Strauss: consciente -> inconsciente. Ele procura ver os processos de significação como sistemas. Essas coisas existem dentro de determinada ordem que é da mesma natureza da linguagem. Analogia metodológica entre os fenômenos sociológicos e os fenômenos lingüísticos. Formas uma estrutura com leis gerais.
  • Quando Mauss chega às categorias nativas (mana / hau) ele aceita a teoria nativa; Lévi-Strauss não aceita a teoria nativa, para ele mana e hau são explicações nativas, na realidade a essência do Kula é a troca.

Fichamento para prova de Antropologia Contemporânea (2002)

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“Marcel Mauss: Ensaio sobre a dádiva. Forma e razão da troca nas sociedades arcaicas.”

Um comentário
  1. Evaristo Filho disse:

    Oi! Muito bom seu fichamento – quebrou um galho enorme como material para um grupo de pesquisa do qual faço parte. A propósito, vou “sugar” o resto de seu material!

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