Quem faz e quem deve fazer política – Ideologias Contemporâneas (parte 2)

O Populismo

Principais representantes: G. Vargas A Política trabalhista no Brasil (1950), e D. Perón O Movimento Justicialista (1946).

Quem faz a Política?

As oligarquias colonizadas, associadas aos interesses econômicos e estratégicos das potências estrangeiras, especialmente americanas e européias, que praticam uma política antinacional e de discriminação popular.

Quem deve fazer a Política?

O líder, o caudilho, condutor das massas, que as mobiliza e as organiza corporativamente ou sindicalmente em favor de uma política de soberania nacional e de conquista social. Aliado à burguesia nacional e aos trabalhadores, o líder populista visa a autonomia política e econômica do país.

 

O Liberalismo

Principais pensadores: Benjamin Constant (1767-1830) Princípios da política aplicável a todos os governos representativos (1820) e John Stuat Mill (1806-1873) Sobre a Liberdade (1859).

Quem faz a Política?

Os poderes excessivos do Estado, sujeito às influências maléficas do Executivo e por vezes inclinado aos reclamos da demagogia popular.

Quem deve fazer a Política?

O cidadão, geralmente um homem qualificado, apurado pelo mecanismo eleitoral censitário (de acordo com a renda), dotado de propriedade e autonomia, que participa da vida política em eleições periódicas e se possível organizado partidariamente. A autoridade do Estado deve ser limitada por um eficaz sistema de divisão de poderes que impeça o despotismo ou os exageros do executivo, e que o imunize perante as exageradas demandas populares. O Estado deve apenas garantir o gozo da propriedade e a liberdade dos indivíduos “que é o gozo pacífico da independência privada”.

A Democracia Moderna

Disso tudo conclui-se que a democracia moderna é uma confluência da ideologia liberal, na medida em que mantém o sistema representativo, a divisão dos poderes e as demais liberdades, que convivem com as propostas do programa socialista, isto é, a plena igualdade de todos os cidadãos, a garantia dos direitos sociais e trabalhistas e a equivalência dos sexos.

Observa-se que na democracia moderna desaparecem os anteriores critérios que discriminavam os cidadãos. Os critérios de impedimentos de ordem cultural (pois hoje votam alfabetizados e os analfabetos), sexual (votam homens e mulheres), religioso (ninguém perde seus direitos políticos por motivo religioso), censitário (não se divide mais os indivíduos em cidadãos ativos, com renda, e passivos, sem rendimento), racial (por serem de outra cor que a maioria), ou ideológico (por defenderem uma doutrina contrária aquela que domina o país) foram todos eles derrogados ou abolidos, mantendo-se apenas uma exigência de limite etário para que o indivíduo se torne cidadão.

Além dessa plena integração de todos os cidadãos, no moderno Estado de Direito estão assegurados os direitos de associação, de greve, de imprensa, de liberdade e de livre expressão das idéias.

A democracia moderna é também a síntese final entre quem faz e quem deve fazer a política. Nela atenuam-se as antinomias que marcaram o pensamento político desde os tempos de Platão até o recente declínio das ideologias modernas. Quem faz, pois, a política numa democracia moderna? O cidadão! Quem deveria fazê-la? Igualmente o cidadão.

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/

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