Esta disciplina dedica-se ao estudo de fenômenos políticos. Esses fenômenos são freqüentemente encarados como caracterizando exclusivamente o governo nacional, junto com as autoridades locais e regionais, é aí que a política se torna mais visível. Mas na realidade a atividade política é geral. Ela ocorre em todas as organizações: empresas, sindicatos, igrejas ou organizações sociais. Se o caráter geral da atividade política é hoje amplamente reconhecido, essa atividade ainda é analisada principalmente em relação a organismos públicos.
Relação entre ciência política e teoria política normativa: se a ciência política é o estudo dos fenômenos políticos, a teoria política normativa diz respeito às características dos valores políticos.
A ciência política tal como é conhecida hoje, só se desenvolveu recentemente, devido a isso, a profissão de cientista político ainda tem poucos praticantes.
Apesar de autores brilhantes durante a Idade Média, Renascimento e período moderno como, Maquiavel, Bodin, Hobbes, Locke, Montesquieu, Rousseau e Tocqueville, que exerceram grande influência na ciência política, esses autores não desenvolveram um ramo acadêmico de aprendizado que pudesse ser encarado como ciência. Assim, a ciência política só surgiu como disciplina depois da primeira metade do século XIX, e mesmo perto do final do século XX, ainda não tinha adquirido um status totalmente independente em diversas partes do mundo.
Essa falta de autonomia disciplinar afetou o desenvolvimento da ciência política; também exerceu efeito sobre a natureza e a vitalidade da teoria política, especialmente sobre seus aspectos não-normativos. Como em todas as disciplinas, a ciência política precisa desenvolver uma teoria, caso deseje entender os fenômenos que observa. Porém, alguns acreditam ser impossível uma teoria autenticamente científica da política, devido à natureza do comportamento humano, tanto individualmente quanto em grupo. Os motivos para tal ponto de vista vão desde a visão de que as ações humanas são basicamente imprevisíveis até a idéia de que as situações políticas são muito complexas para que uma análise científica seja capaz de descobrir, quanto mais medir, todas as variáveis envolvidas no processo. Também já se afirmou que as idiossincrasias dos observadores são inevitáveis e o que passa por “observação” é apenas um reflexo dessas mesmas idiossincrasias.
Existe uma necessidade de compreender melhor a política e descobrir regularidades, mesmo que acabem se tornando “leis” verdadeiramente científicas.
O debate sobre a viabilidade da ciência política está em continuo processo, sem diminuição de ênfase, isso porque a vida política, e em particular a vida política no plano dos responsáveis pelas tomadas de decisão nacionais, é formada marcantemente pela cultura política dos países e das regiões. As tradições políticas e sociais são os mecanismos pelos quais as especificidades históricas desempenham seu papel.
Generalizações em ampla escala podem levar a armadilhas: muito provavelmente deixarão inexplicada grande parte da realidade concreta. É preciso que às generalizações se combine o reconhecimento da importância do contexto particular e dos que desempenham papéis particulares. Assim, esse é o maior desafio dos cientistas políticos: mais do que cientistas sociais, eles precisam combinar o geral com o particular.
Semelhante situação naturalmente afeta a metodologia da ciência política: os cientistas políticos têm de usar grande variedade de instrumentos e técnicas se quiserem obter alguma compreensão da realidade. Não existe nenhuma metodologia isolada, nenhuma metodologia comum.
A ciência política, assim, apresenta grande diversidade. Não é um ramo do saber verdadeiramente unido. Pode-se encontrar cinco aspectos de estudos empíricos que se tornaram campos de investigação cada vez mais distintos:
Com essa expansão da ciência política ao longo do século XX, sua influência vem naturalmente crescido de forma apreciável. Ela ainda tem grandes dificuldades na previsão de resultados. Ao mesmo tempo, a necessidade de se dedicar a um estudo sistemático das tendências políticas e, assim compreender os acontecimentos políticos e cada vez mais reconhecido tanto pelo público em geral quanto pelos próprios responsáveis pelas tomadas de decisão.
Assim, a ciência política preenche uma função essencial, que é a de ajudar os cidadãos a adquirir melhor compreensão dos fenômenos políticos e, assim, exercerem maior influência sobre sua comunidade e sobre a sociedade como um todo.
Dicionário do Pensamento Social do século XX – “Ciência Política” – pag. 80 – 85